terça-feira, 17 de novembro de 2015

Dialética

Ah...

quem me dera
vida me desse
um desses revezes
de fim de novela
um rito de passe
presto apagasse
rastros de erros
grasnando segredos
nevermores de amores
corações delatores
nas grades das minhas
espelho retinas
penitentes

sagrasse  mefisto
ucoup de dés
desfizesse os ditos
desaforos desatinos
desatando os nós
dos nossos destinos
de repente, não mais
(quase) indiferentes
unhas e dentes
anéis que vidro
venenos que paz
faustos funerais
correntes

oxalá me encantasse
fata morgana
sereia cigana que
engane o engasgo
xamã cartoamante
que minta o que vi
venda um conto que
vende a mente
monte um castelo
de cartas em branco
abrande essa brasa
embriague em clichês
entorpecentes

.

Mas...

a.for.tu.na.da.men.te,

a materialidade do embate de forças desfronteirando à foi-se meu coração
revoluciona-me

a massa que pulsa sabota sistema e ocupa as vias de fato da razão
mitopoesa-se

e ainda que a náusea asfalte as flores e o medo esterilize o abraço irmão
ecoo

pra além das fés falhas
pra além das folhas secas
das figas e fadas, fotografias mofadas
fugas fúteis fantasiadas de felicidade em que me afogo
feito fogo fazendo-se fumaça
pra mandar sinais
s.o.s

.

Pois...

 só semeia-se aos seus
quem crê
que em algum lugar além
alguém
fala sua língua
lendo nos céus
leis que dão sentido
ao sentir 

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